Docente: Dr. Paulo Esteireiro
Discente: Georgy Titov
Data: 24.11.2011
Conferência Ciências Musicais
Reflexão
“And my job is to sit and look…”
Rowan Atkinson (as Mr. Bean)
The Ultimate
Disaster Movie 1997.
Primeira coisa que despertou a minha atenção nesta
conferência foi o porteiro de Centro
de Estudos de História do Atlântico - o homenzinho certamente não estava acostumado dessa quantidade da gente a
chegar à esta casa, e até parecia um bocadinho chateado com isso.
A
própria conferência começou com apresentação de dois pecas de séc. XIX para
machete de compositor Madeirense Manuel Joaquim Monteiro Cabral.
Disse
algumas palavras o Manuel Morais, o famoso musicólogo e especialista em
cordofones. Ele disse que este disco é continuação de um trabalho desenvolvido
pela GCEA.
O Paulo Esteireiro chamou atenção que
existe de uma falta de consciência em relação ao verdadeiro valor de património
musical, comparando com as outras áreas. É difícil não concordar com isso.
O Rui Camacho falou sobre necessidade
urgente de criar um museu de instrumentos musicais de região - ele defende essa
mesma ideia já alguns anos, mas não tem nenhum apoio governamental etc.
Padre Ignacio Rodrigues falou sobre os
seus estudos em Paris e importância de Música Sacra. O Armando falou sobre as
bandas…Parece que todo esta certo…o património da ilha da Madeira esta em boas
mãos, ponto final.
O que nos aprendemos nessa conferência? Porque gastamos aqui uma hora e meia de nosso tempo precioso?
Em primeiro lugar eu aprendi que património de ilha da Madeira e incrivelmente rico. Com apenas 593 anos de existência dos portugueses neste arquipélago o património dessas ilhas tão rico, que hoje em dia consegue sustentar um verdadeiro exercito de doutores ligados aos ciências das áreas diversas (apesar que conheço pessoalmente só aqueles, que são ligados aos artes) - da, chega e sobre até para que vem de fora! E se tal património não existisse valia a pena inventar um. Claro que este património não apareceu de nada. A muitas horas de trabalho intenso, de pesquisa e investigação, pagos pelo governo de RAM.
Em segundo lugar aprendi que apesar de
todo este trabalho, destes atitudes quase altruístas e dignos da nossa
admiração, ninguém aqui não está preocupado com o verdadeiro património musical destas ilhas...enquanto toda a gente
fala sobre matérias finas e tesouros de século XIX, o verdadeiro tesouro, o
verdadeiro património esta rapidamente apodrecer nos arquivos de Xarabanda.
Sim, estou falar sobre o áudio arquivo desta gloriosa instituição. É aqueles
cassetes de áudio com gravações de música tradicional da Madeira, registos gravados
das pessoas a cantar e a tocar de uma maneira tão única que nenhum sistema de
notação musical não vai conseguir captar. (Neste sentido o trabalho de
Aquilino, que foi destacado para fazer transcrição deste arquivo é um
absurdo…95% de riqueza de verdadeiro folclore perde-se quando estamos tentar
aplicar a nossa sistema rígida de notação) Estas vozes, melodias e sonoridades
vão desaparecer em breve para sempre – o tempo de preservação de fita magnética
é muito mais curto do que o papel…
Concordo que existe aqui um repertório único
de obras para machete, música dos compositores Madeirenses para piano, música
sacra, música dos bailes etc. Mas os próprios investigadores vão concordar que
este repertorio em termos de o seu contributo para cultura mundial…pronto, é
aquelas coisinhas giras mas nada é por ai além. Esta camada de cultura
Madeirense fez o seu papel importante e agora esta bem visível graças aos
projectos de GCEA desenvolvidos neste campo.
Enquanto a verdadeira música tradicional não desperta nenhuma atenção dos
investigadores e está (como sempre) jogada quase para um balde de lixo. Na mina
opinião esta música merece de ser salva. O arquivo de áudio de Xarabanda tem
que ser digitalizado urgentemente, e esta música deve ser investigada em
primeiro lugar – aqui está o vosso verdadeiro
património – música com uma linguagem própria, única ,e não é aqueles
imitações mais ou menos bem-sucedidos de música clássica e erudita dos séculos
passados. Com exemplos desta música tradicional eu quero aprender cultura desta
região - e não com aqueles fantasmas de passado.
O Rui Camacho parece estão agora
acarinhado e respeitado pela mainstrim
e establishment de instituições
ligadas ao educação musical na região – mas ideias que ele defende –
(verdadeira música tradicional da Madeira) - como sempre estão longe de ser
percebidas. Ele (Rui Camacho) preocupa-se com museu de instrumentos
tradicionais, mas acho que os instrumentos estão bem salvos (os coleccionadores
como Manuel Morais vão tratar disso). E já agora, não acredito que é tão
difícil encontrar espaço para este museu – a tantos espaços mal aproveitados na
RAM – por exemplo o mesmo Centro
de Estudos de História do Atlântico – o
que é que está a passar nas salas sombrias desta instituição além de essa
conferência? Ou aquele edifício enorme de biblioteca municipal de Câmara De
Lobos? Ou mesmo Forum Machico? Etc.etc…Dava para fazer mais um museu de boleia,
ou, talvez, um pequeno museu dos elefantes. E o preço da deslocação de Manuel Morais para Madeira
(só por causa desta conferência?! Ele não disse nada que seja muito educativo
ou inspirador para nos, alunos de curso – tenho a gravação!) já dava para
digitalizar uma parte de este arquivo de Xarabanda.
Acho que além de salvação e preservação
de áudio arquivo de Xarabanda é necessário fazer uma investigação neste campo -
e aqui nota-se não é só falta de consciência em relação ao verdadeiro valor
desta parte de património musical, mas também falta de conhecimento de
ferramentas e metodologias de investigação nesta área – preciso continuar fazer
gravações no campo – ainda há pessoas que sabem cantar música tradicional - não
é suficiente fazer transcrição com notação de acordo de música ocidental, mas necessário
fazer estudo dos desafinações características (em casos acapela), comparando
vários amostras gravados (por os números exactos dos frequências junto aos
notas, por exemplo A = 436,56 hz C = …) comparar desafinação dos intervalos com
objectivo encontrar certos padrões, que caracterizam esta região, comparar com os
resultados de investigações de folclore nas outras países, fazer comparações
com a série dos harmónicos naturais. Mesma coisa com os ritmos - analisar duração
de cada nota ao milissegundo encontrando padrões de “groove” próprio etc. Ao
base de dados adquiridos neste investigação criar livrarias de MIDI com
escalas, pentatonicas características ao folclore tradicional da Madeira com as
todas desafinações, livrarias de “groove mapping”, livrarias de instrumentos
tradicionais sampladas, etc. - editar e publicar todo isso no internet de borla. (Para todos os interessados
usar isso na sua criação musical). No fundo trata-se de integração de
património musical da Madeira com a música de todo mundo – ilha da Madeira
sempre foi lugar de cruzamento das culturas diferentes e investigação como esta
podia trazer algumas surpresas aos investigadores e servir de uma base sólida
para futuro desenvolvimento de cultura musical na região.
Bibliografia
Gravação de
áudio de conferência “Sarau Musical no Funchal”
e Mesa Redonda “Estado do Património Musical na Madeira” - Centro de Estudos de História do Atlântico 22 de Novembro de 2011.
e Mesa Redonda “Estado do Património Musical na Madeira” - Centro de Estudos de História do Atlântico 22 de Novembro de 2011.
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