terça-feira, 2 de julho de 2013

Vantagens e os principais obstáculos de recuperação do património musical madeirense no contexto educativo


Vantagens e os principais obstáculos de recuperação do património musical madeirense no contexto educativo 
 Docente: Paulo Esteireiro

 Discente: Georgy Titov

 Data: 07.05.13
     

No âmbito da disciplina de Ciências Musicais, leccionada pelo Dr.º Paulo Esteireiro, integrada na Licenciatura em Educação Musical realizada pelo Instituto Superior de Ciências Educativas (ISCE)  foi proposto aos alunos a realização um pequeno texto, com 500 a 600 palavras, sobre as vantagens e os principais obstáculos de recuperação do património musical madeirense no contexto educativo. Indicar também algumas estratégias possíveis para o futuro da educação artística, no que concerne à defesa do património musical local.
   Para falar de possíveis vantagens e principais obstáculos de recuperação do património musical madeirense no contexto educativo queria definir, o que é que nos podemos considerar um património musical (e cultural).
  Com acordo de Wikipedia  “Património … cultural é o conjunto de todos os bens, materiais ou imateriais, que, pelo seu valor próprio, devem ser considerados de interesse relevante para a permanência e a identidade da cultura de um povo... O património é a nossa herança do passado, com que vivemos hoje, e que passamos às gerações vindouras.” (Consultado 06.05.2013).
  Então posso deduzir deste definição que o património (cultural) é algo dinâmico, em constante desenvolvimento com vector direccionado de passado para futuro, um laboratório de presente, e não algo estático, como "Folhas muertas" das partituras de século passado.
 No mundo onde fala-se muito de globalização, cultura e património de qualquer região é único modo de sobreviver para economia local - e não preciso supervisão dos Phd's para resolver esta questão, não é por acaso nos restaurantes do Funchal raramente servem "fish and chips" mas sim, espada com banana. E, mais sedo ou mais tarde, necessidade de sobreviver vai obrigar agentes de cultura (artistas) desta região  se virar a procura do tal património. Só que logo levanta-se a outra questão - o que é que realmente este património?
   Se analisando a partitura do séc. XIX escrita pelo autor Madeirense eu vejo só uma fraca imitação de uma obra conhecida feita na mesma época por um compositor famoso, será que pode considerar isso uma parte de património valioso?
 Ou património é algo único, próprio, que se defere das todas imitações e realmente traz uma identidade cultural?
    E talvez o património mais valioso de Ilha da Madeira e aquela situação única geográfico – cultural, que é mistura de estremo isolamento insular com influências das culturas mais fortes dominantes que cursaram-se neste arquipélago? Não é por acaso dizem que ideia de Cristóvão Colombo descobrir um novo caminho para as Índias nasceu neste arquipélago.
  Impossibilidade juntar-se aos grupos culturais de microculturas fechadas (por exemplo aqueles microculturas e subculturas que florescem no Portugal e toda Europa continental) como música erudita, jazz, heavy metal, hip hop, club music, folc etc.) e proximidade num território tão pequeno os agentes e adeptos das micro e subculturas tão diversos também é o património deste região, tanto como uma canção ou obra de compositor madeirense? Acesso de população ao WWW (internet) + isolamento insular também é uma situação única, que pode ser considerada parte de património cultural? Afinal onde é que esta escondido o verdadeiro tesouro de património regional?
  Então um dos problemas que eu vejo aqui é saber identificar, o que é que podemos considerar o património desta região, e o que é que apenas uma camada de “lixo” cultural que é comum para todos países da Europa.
  O próximo problema, depois de descobrir a sua identidade cultural, é saber como se pode trabalhar este património, porque sem integração dinâmica com cultura e paradigmas de actualidade, este mesmo património pode se tornar numa pedra pesada no pescoço de cultura local. (como acontece com aquilo que chamado as vezes “música clássica” em sertãs circunstâncias, uma arte fechada em si, por este razão prefiro termo “música erudita” que permite uma abertura muito maior).

  O professor no seu Power Point Ciências Musicais VI ”
Património Musical Local na Educação” (Esterieiro 2013) diz que “o acesso fácil às melhores produções musicais mundiais faz com que os alunos nem sempre estejam abertos à cultura local, a qual, por comparação, poderá parecer menos atraente em certas circunstâncias.”(Esterieiro 2013:23) …“Crianças e jovens CONHECEM a música de outros povos, principalmente de culturas dominantes como a inglesa e a norte-americana” .” (Esterieiro 2013:08)
    Isso no meu intender é como dizer que “o aceso fácil ao caviar e champagne Perrier-Jouët  faz que é muito difícil despertar o interesse dos alunos para o menu de cantina da escola básica secundaria de Fajã de Ovelha”... Uma comparação injusta de património trabalhado e de uma longa história de preservação e desenvolvimento cultural (champagne perrier - jouet neste caso) com património fictício inventado pelo chefe de cantina.

  E o que é que esta cultura popular inglesa e norte-americana esta mencionada aqui? Porque é que esta cultura está culpada por todo lado como cultura predominante acessível, que tira toda atenção dos alunos das coisas realmente importantes como património da sua região?
 Cultura inglesa e norte americana de meu ponto de vista, é o património destes países (Inglaterra e USA) - o  património vivo no seu sentido dinâmico, e não é réplicas dos ossos dos dinossauros imaginários que servem para escrever dissertações e defender doutoramentos, receber as diplomas que servem só para tapar uns buracos vazios.
  Não é surpresa nenhuma que os alunos acham que a cultura local parece… pouco atraente.
  E, por enquanto vocês tentam ensinar os alunos que Cancioneiro de Música tradicional Madeirense melhor do que ultimo espirro de Justin Biber ou Lady Gaga, é uma batalha perdida a priori.
 Não é melhor tentar a dar uma explicação aos alunos, como é que agentes destas culturas (ingleses e norte-americanos) conseguiram tornar o seu património no algo tão atraente, universal e até lucrativo?
  Só quando professores de educação musical vão conseguir dar aos alunos uma visão dinâmica de património como algo vivo com propriedades únicos é distintos, deferentes das outras culturas, tal unicidade que pode dar "lucro" de futuro sucesso em frente das outras culturas.
  Só quando os professores vão ensinar os alunos de trabalhar o património local (como trabalharam os ingleses e norte-americanos este seu património) e tornar ló num êxito que capaz de erguer orgulhosamente junto aos outros patrimónios culturais, podemos despertar interesse ao património local de parte dos alunos de educação musical.
 E, para dizer a verdade, o património da ilha da Madeira não precisa de ser defendido, não preciso um choro dos doutores de Educação Musical. E quem não vê este património vivo e vibrante está realmente sego. Basta assistir um ensaio de uma banda de rock/pop dos adolescentes Madeirenses qualquer - tirando uma camada de lixo de imitação de tais culturas predominantes mencionadas anteriormente, um ouvinte atencioso vai sempre reconhecer intonações e articulações características deste pais e desta região (Madeira) (ou, aliás, acho para quem vão tentar, mesmo com má intenção tirar a forca e por propósito esta identidade cultural deste povo não vão conseguir!) – só tenho de dizer com uma grande pena, que neste arquipélago com tantas Phd´s ligados ao cultura e as artes não há ninguém, quem podia ajudar aos estes músicos desgraçados desenvolver estas características próprias e únicas em algo tão forte, como música dos ingleses e norte-americanos, permitindo mostrar a beleza do seu património em toda a plenitude e adequado aos tempos modernos.
   Ok …reparei agora que o meu texto já ultrapasso 600 palavras requisitadas pelo professor…Mas eu tenho uma desculpa perfeita - quem sabe, talvez este mesmo texto, escrito em Português tão mau, vai ser considerado de património cultural desta região daqui 100 anos?
   Pois, no meu intender, (vou reescrever agora a famosa wikipedia) o património é aquela forca que leva um povo, uma nação, uma cultura para o seu futuro.




Bibliografia/Webgrafia utilizada
Power Point Ciências Musicais VI  Património Musical Local na Educação” (Esterieiro P. 2013)



Conferência Ciências Musicais 24.11.2011


 Docente: Dr. Paulo Esteireiro

 Discente: Georgy Titov

 Data: 24.11.2011




Conferência Ciências Musicais

Reflexão 

And my job is to sit and look…

Rowan Atkinson (as Mr. Bean)

The Ultimate Disaster Movie 1997.

 

      Primeira coisa que despertou a minha atenção nesta conferência foi o porteiro de Centro de Estudos de História do Atlântico - o homenzinho certamente não estava acostumado dessa quantidade da gente a chegar à esta casa, e até parecia um bocadinho chateado com isso.

 

       A própria conferência começou com apresentação de dois pecas de séc. XIX para machete de compositor Madeirense Manuel Joaquim Monteiro Cabral.
       Disse algumas palavras o Manuel Morais, o famoso musicólogo e especialista em cordofones. Ele disse que este disco é continuação de um trabalho desenvolvido pela GCEA.
       O Paulo Esteireiro chamou atenção que existe de uma falta de consciência em relação ao verdadeiro valor de património musical, comparando com as outras áreas. É difícil não concordar com isso.
       O Rui Camacho falou sobre necessidade urgente de criar um museu de instrumentos musicais de região - ele defende essa mesma  ideia já alguns anos, mas não tem nenhum apoio governamental etc.
       Padre Ignacio Rodrigues falou sobre os seus estudos em Paris e importância de Música Sacra. O Armando falou sobre as bandas…Parece que todo esta certo…o património da ilha da Madeira esta em boas mãos, ponto final.

     O que nos aprendemos nessa conferência? Porque gastamos aqui uma hora e meia de nosso tempo precioso?

     Em primeiro lugar eu aprendi que património de ilha da Madeira e incrivelmente rico. Com apenas 593 anos de existência dos portugueses neste arquipélago o património dessas ilhas tão rico, que hoje em dia consegue sustentar um verdadeiro exercito de doutores ligados aos ciências das áreas diversas (apesar que conheço pessoalmente só aqueles, que são ligados aos artes) - da, chega e sobre até para que vem de fora! E se tal património não existisse valia a pena inventar um. Claro que este património não apareceu de nada. A muitas horas de trabalho intenso, de pesquisa e investigação, pagos pelo governo de RAM.
     Em segundo lugar aprendi que apesar de todo este trabalho, destes atitudes quase altruístas e dignos da nossa admiração, ninguém aqui não está preocupado com o verdadeiro património musical destas ilhas...enquanto toda a gente fala sobre matérias finas e tesouros de século XIX, o verdadeiro tesouro, o verdadeiro património esta rapidamente apodrecer nos arquivos de Xarabanda. Sim, estou falar sobre o áudio arquivo desta gloriosa instituição. É aqueles cassetes de áudio com gravações de música tradicional da Madeira, registos gravados das pessoas a cantar e a tocar de uma maneira tão única que nenhum sistema de notação musical não vai conseguir captar. (Neste sentido o trabalho de Aquilino, que foi destacado para fazer transcrição deste arquivo é um absurdo…95% de riqueza de verdadeiro folclore perde-se quando estamos tentar aplicar a nossa sistema rígida de notação) Estas vozes, melodias e sonoridades vão desaparecer em breve para sempre – o tempo de preservação de fita magnética é muito mais curto do que o papel…
    Concordo que existe aqui um repertório único de obras para machete, música dos compositores Madeirenses para piano, música sacra, música dos bailes etc. Mas os próprios investigadores vão concordar que este repertorio em termos de o seu contributo para cultura mundial…pronto, é aquelas coisinhas giras mas nada é por ai além. Esta camada de cultura Madeirense fez o seu papel importante e agora esta bem visível graças aos projectos de GCEA desenvolvidos neste campo.
      Enquanto a verdadeira música tradicional não desperta nenhuma atenção dos investigadores e está (como sempre) jogada quase para um balde de lixo. Na mina opinião esta música merece de ser salva. O arquivo de áudio de Xarabanda tem que ser digitalizado urgentemente, e esta música deve ser investigada em primeiro lugar – aqui está o vosso verdadeiro património – música com uma linguagem própria, única ,e não é aqueles imitações mais ou menos bem-sucedidos de música clássica e erudita dos séculos passados. Com exemplos desta música tradicional eu quero aprender cultura desta região - e não com aqueles fantasmas de passado.
     O Rui Camacho parece estão agora acarinhado e respeitado pela mainstrim e establishment de instituições ligadas ao educação musical na região – mas ideias que ele defende – (verdadeira música tradicional da Madeira) - como sempre estão longe de ser percebidas. Ele (Rui Camacho) preocupa-se com museu de instrumentos tradicionais, mas acho que os instrumentos estão bem salvos (os coleccionadores como Manuel Morais vão tratar disso). E já agora, não acredito que é tão difícil encontrar espaço para este museu – a tantos espaços mal aproveitados na RAM – por exemplo o mesmo Centro de Estudos de História do Atlântico – o que é que está a passar nas salas sombrias desta instituição além de essa conferência? Ou aquele edifício enorme de biblioteca municipal de Câmara De Lobos? Ou mesmo Forum Machico? Etc.etc…Dava para fazer mais um museu de boleia, ou, talvez, um pequeno museu dos elefantes. E o preço da deslocação de Manuel Morais para Madeira (só por causa desta conferência?! Ele não disse nada que seja muito educativo ou inspirador para nos, alunos de curso – tenho a gravação!) já dava para digitalizar uma parte de este arquivo de Xarabanda.
      Acho que além de salvação e preservação de áudio arquivo de Xarabanda é necessário fazer uma investigação neste campo - e aqui nota-se não é só falta de consciência em relação ao verdadeiro valor desta parte de património musical, mas também falta de conhecimento de ferramentas e metodologias de investigação nesta área – preciso continuar fazer gravações no campo – ainda há pessoas que sabem cantar música tradicional - não é suficiente fazer transcrição com notação de acordo de música ocidental, mas necessário fazer estudo dos desafinações características (em casos acapela), comparando vários amostras gravados (por os números exactos dos frequências junto aos notas, por exemplo A = 436,56 hz C = …) comparar desafinação dos intervalos com objectivo encontrar certos padrões, que caracterizam esta região, comparar com os resultados de investigações de folclore nas outras países, fazer comparações com a série dos harmónicos naturais. Mesma coisa com os ritmos - analisar duração de cada nota ao milissegundo encontrando padrões de “groove” próprio etc. Ao base de dados adquiridos neste investigação criar livrarias de MIDI com escalas, pentatonicas características ao folclore tradicional da Madeira com as todas desafinações, livrarias de “groove mapping”, livrarias de instrumentos tradicionais sampladas, etc. - editar e publicar todo isso no internet de borla. (Para todos os interessados usar isso na sua criação musical). No fundo trata-se de integração de património musical da Madeira com a música de todo mundo – ilha da Madeira sempre foi lugar de cruzamento das culturas diferentes e investigação como esta podia trazer algumas surpresas aos investigadores e servir de uma base sólida para futuro desenvolvimento de cultura musical na região.

Bibliografia
Gravação de áudio de conferência “Sarau Musical no Funchal” 
e Mesa Redonda “Estado do Património Musical na Madeira” - Centro de Estudos de História do Atlântico 22 de Novembro de 2011.

The Ultimate Disaster Movie (1997).